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sexta-feira, 18 de julho de 2008

do fundo do baú: Botafogo (RJ) 5 X 1 Corinthians (SP)

No dia 10 de Março de 1966, numa Quinta-feira, Botafogo e Corinthians se enfrentaram no Maracanã pelo Torneio Rio- São Paulo e os alvinegros carioca saíram vencedores com uma goleada de 5 tentos a 1. Nesse ano foram campeões empatados Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco da Gama

Principal Artilheiro do Campeonato

Parada (Bot): 8 Gols

O Jogo

BOTAFOGO (RJ) 5 x 1 CORINTHIANS (SP)
Data:
10 / 03 / 1966
Torneio Rio-São Paulo
Local: Maracanã
Árbitro: Armando Marques
Gols: Bianchini (2), Jairzinho (2) e Parada; Rivellino
BOTAFOGO: Manga, Joel (Paulistinha), Zé Carlos, Dimas e Rildo; Marcos e Gérson; Jairzinho, Parada (Sicupira), Bianchini e Roberto (Afonsinho) / Técnico: Admildo Chirol
CORINTHIANS: Marcial, Maciel, Ditão, Galhardo e Édson; Dino Sani (Nair) e Rivellino; Garrincha, Flávio (Ney), Tales e Gílson Porto (Bataglia) / Técnico: Oswaldo Brandão
Obs: Bianchini e Édson foram expulsos.

O Craque: MangaNascido no Recife em 1937, o filho de seu José Domingos e dona Élida Corrêa vem de uma linhagem de jogadores de futebol, que incluía dois de seus irmãos: Alemão, ex-zagueiro do América-RJ, e Manguito, ex-goleiro do Olaria. Dos três, porém, foi Manga quem chegou mais alto, conquistando títulos por praticamente todas as equipes pelas quais jogou.

Isso desde 54, quando começou no juvenil do Sport. No ano seguinte, já se consagrou campeão estadual da categoria sem sofrer gols. O desempenho lhe valeu proposta precoce do Vasco da Gama, mas o Leão da Ilha do Retiro pediu muito alto para deixá-lo ir e ele continuou defendendo as cores do clube do Recife.

Ainda em 55, a permanência em Pernambuco valeu ao ainda jovem Aílton uma vaga no time principal do Sport, ainda que de maneira inesperada. Comandados pelo técnico Dante Bianchi, os rubro-negros excursionavam pela Europa com Oswaldo Balisa como dono das traves. Balisa se machucou na estréia contra o Sporting-POR e foi substituído pelo reserva Carijó. A diretoria do clube chegou a propor ao treinador a compra de um novo arqueiro, mas Bianchi preferiu que mandassem buscar o jovem talento que ele tinha no time juvenil, ainda no Recife. Chegou e virou titular do time, de onde só saiu quando foi para o Botafogo, em 59.

Foi também em 55 que Aílton recebeu a alcunha de Manga. “Ganhei o apelido por causa do goleiro do Santos, que era o papão da época e se chamava Manga. Não foi por gostar da fruta. Tenho horror a manga”, explicou em entrevista da época, talvez constrangido. Mais para frente, a versão mudou, com a inclusão de um primo na história. “Ele me disse que, por causa da minha varíola, minha cara ficou com crateras do tamanho de mangas. Pegou o apelido”, afirmou, duas décadas depois.


Três títulos do Campeonato Pernambucano, e o Sport não conseguiu mais segurar sua revelação. Em 59, Manga iria para o Botafogo para nova consagração: no total, foram quatro títulos estaduais e três do Rio-São Paulo em nove anos defendendo o clube da Estrela Solitária. Todos com os dedos tortos, resultado de fraturas mal-recuperadas que recusararam uma cirurgia corretora paga pelo próprio Carlito Rocha, lendário presidente do Botafogo na época.

As boas atuações de Manga no Rio de Janeiro valeram a ele a convocação para a Copa do Mundo de 66, na Inglaterra. Apesar de ser originalmente reserva, ele acabou assumindo a vaga de Gilmar na partida contra Portugal. A derrota por 3 a 1 para o time de Oto Glória serviu não apenas para selar a eliminação do Brasil no Mundial como para encerrar o ciclo de Manga na seleção, da qual foi banido após ser pego acompanhado na concentração.

Não foi, nem de longe, o melhor momento da carreira do goleiro. Na conquista do Campeonato Carioca de 67, contra o Bangu, Manga foi um dos responsáveis pelo placar de 2 a 1 que evitou o bicampeonato dos alvirrubros.

Ainda assim, não foi perdoado pelo jornalista João Saldanha, que o acusou de ter facilitado no lance do segundo gol do Bangu, anulado pelo árbitro Antônio Viug. No primeiro encontro entre os dois após a partida, João mostrou o porquê do apelido de “João sem medo”: deu um tiro para o chão, do qual Manga escapou em desabalada carreira, saltando um muro e deixando o Botafogo em 68, depois de 445 partidas.

Fora do Glorioso, Manga resolveu encarar o desafio de jogar no Nacional, do Uruguai, aos 30 anos. Estreou no clube charrúa em 7 de setembro de 68 contra o Danúbio, sem sofrer gols. No total, foram 339 minutos invictos logo nos primeiros quatro jogos. A passagem pelo futebol cisplatino ainda valeu ao pernambucano uma série de títulos, dentre os principais a Libertadores de 71, vencida contra ninguém menos do que o Estudiantes de la Plata, então tricampeão da competição. No final do ano, o time ainda venceria o Panathinaikos no Uruguai e se sagraria campeão do Mundial Interclubes.

A passagem pelo futebol uruguaio deu muita dor de cabeça para Manga, que perdeu muito dinheiro nos cassinos locais. Mas também rendeu a ele o reconhecimento da exigente torcida tricolor, que se manteve invicta em 16 clássicos consecutivos contra o Peñarol graças às boas atuações do time que tinha - além de Manga - Ancheta, Mujica, Montero Castillo, Artime e Morales.

Manga conquistou ainda o respeito do técnico do clube, Washington Etchamendi, que tentou naturalizá-lo uruguaio – em vão, já que Manga pretendia defender a seleção brasileira em mais uma Copa do Mundo e mostrar que havia sido um injustiçado em 66. Não conseguiu.

Ainda no Nacional, mais exatamente no dia 30 de maio de 74, Manga marcou seu único gol como profissional. Foi no jogo contra o Racing, batendo um tiro de meta, no qual a bola foi mais para a frente do que o camisa um imaginou. Tanto foi que acabou encobrindo o goleiro Posadas, adiantado. Calcaretta ainda se posicionou para receber o lançamento e empurrá-lo para o gol vazio, mas preferiu acompanhá-lo e apenas evitar que a bola saísse, sem tocá-la para não atrapalhar o momento histórico.

O lance serviu para encerrar com ainda mais brilho a passagem de Manga no futebol do Uruguai. Aos 37 anos, ele já tinha quilometragem e títulos suficientes para pendurar as chuteiras com o dever cumprido. Ainda assim, sua segurança embaixo das traves continuava despertando o interesse de diversos clubes do Brasil. Ainda em 74, o folclórico presidente Vicente Matheus tentou trazê-lo para o Corinthians, mas não conseguiu entrar em acordo com o Nacional quanto à forma de pagamento. Para alívio de Manga, seu passe acabou sendo negociado com o Internacional.

No Inter, que já havia faturado o pentacampeonato gaúcho entre 69 e 73, Manga chegou para ser a cereja do bolo. Esteve presente nos três títulos estaduais que ainda viriam, naquela que seria a maior série de títulos consecutivos de um clube no Rio Grande do Sul: oito. Não contente com o domínio estadual, Manga foi campeão brasileiro com o time em 75 e 76. No primeiro, atuou em todos os 81 jogos do time no ano; no segundo, conquistou o título quase aos 40 anos, o que o tornou o jogador mais experiente a levantar a taça nacional da história – recorde até hoje inigualado: Manga foi campeão com o Inter aos 39 anos, sete meses e 16 dias.

Procurado pela própria diretoria do Inter, Manga renovou até 77. Foi um dos poucos, já que o time começou a se desfazer do elenco campeão que tinha em mãos “Sem que ninguém conseguisse entender, o Internacional resolveu desfazer aquele timaço que jogava por música, sob o comando do competente treinador Rubens Minelli”, explicou, na ocasião. “Sinceramente, tenho saudades daquele time e daqueles companheiros. Pena que tudo tenha sido desfeito.”

Porém, não durou muito mais a permanência do experiente goleiro; ainda em 77, o Colorado resolveu trazer o paraguaio José Benítez, do Olímpia, para disputar posição com o então campeão brasileiro. Insatisfeito com o banco, aos 40 anos, Manga resolveu deixar o Beira-rio – embora a aposentadoria não fizesse parte de seus planos. “Nunca fui reserva em toda minha carreira, mas o Internacional me desprezou e quis me colocar no banco depois da contratação do Benítez, que jogou na seleção paraguaia. Não aceitei essa condição e deixei o clube”, admitiu.

Entusiasmado com sua saída de Porto Alegre, o Atlético-MG ainda tentou contratá-lo para dar mais segurança à sua defesa. Manga não foi e acabou surpreendendo ao acertar com o Operário-MS para a disputa do Brasileirão. Surpresa maior viria mais tarde, quando o time do técnico Carlos Castilho conquistaria a terceira colocação dentre os 62 que participaram da Copa Brasil, o Brasileirão daquele ano.

Em 78, seria hora de deixar Campo Grande e encerrar a carreira, certo? Errado! Uma passagem rápida pelo Coritiba, mas que rendeu a ele o título de campeão paranaense. Em 79, a aposentadoria é adiada mais um pouco para voltar para Porto Alegre, onde, já em fim de carreira, jogou exatamente pela metade azul da capital gaúcha. Aos 44 anos, Manga virava titular do Grêmio para confirmar ser o melhor goleiro do Brasil, como dizia. “Sou muito mais eu do que muito goleiro de 20 anos”, dizia o camisa um, que ainda garantia ser “igual ao vinho; quanto mais velho, melhor”.

Ok, um título gaúcho a mais na carreira, 42 anos, e Manga vai parar, certo? Que nada: em 80, com 25 anos de carreira, ele ainda aceita seu último desafio internacional, atuando pelo Barcelona de Guayaquil, onde foi campeão equatoriano de 81. No ano seguinte, aos 45 anos, ainda recebeu propostas de diversos times brasileiros, como Paysandu, Sport e Sampaio Corrêa, mas resolveu que havia chegado a hora de encerrar a vioriosa carreira.

Aposentado, Manga preferiu continuar no Equador, onde se tornou treinador de goleiros e garantia não ter se arrependido de ter prolongado tanto a carreira. “O que vale ao jogador é sua condição física e técnica, nunca a idade”, garante o goleiro, com um balanço positivo dos anos que dedicou ao esporte. “No futebol, tive muito mais alegrias do que tristezas. De todos os títulos que disputei em minha carreira, só não consegui mesmo a Copa do Mundo. Mas não há motivo para lamentações, pois isso também faz parte da carreira do jogador.”

Nome: Aílton Corrêa de Arruda (Manga)
Data de nascimento: 26 de abril de 1937, no Recife, PE.

Clubes: Sport (55 a 59), Botafogo (59 a 68), Nacional-URU (68 a 74), Internacional (74 a 77), Operário-MS (77), Coritiba (78), Grêmio (79) e Barcelona-EQU (80 a 82).


Títulos: Campeonatos Pernambucano pelo Sport (55, 56 e 58); Carioca (61, 62, 67 e 68) e do Rio-São Paulo (62, 64 e 66) pelo Botafogo; Uruguaio (69, 70, 71 e 72), da Libertadores (71) e do Mundial Interclubes (71) pelo Nacional-URU; Gaúcho (74, 75 e 76) pelo Inter e (79) pelo Grêmio; Brasileiro (75 e 76) pelo Inter; Parananense (78) pelo Coritiba; e Equatoriano (81) pelo Barcelona de Guayaquil.


Por Emanuel Colombari

Fonte: Gazeta Esportiva.Net

Um comentário:

Anônimo disse...

Peter disse...
Segundo Manga, o nome dele é com "H".
Nome: Haílton Corrêa de Arruda (Manga)
Data de nascimento: 26 de abril de 1937, no Recife, PE.

Saudações Botafoguenses.