A EQUIPE DO FC08 DESEJA A TODOS...
UM PRÓSPERO ANO NOVO!!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Entrevista: Camacho (ex-Botafogo) 2ª parte – EXCLUSIVO

Camacho no Al-Hilal
Foto: Arquivo Pessoal

Continuação da entrevista com o apoiador Camacho.


Por: Ricardo Oliveira

RELAÇÃO COM O REI DO PAÍS:
“O rei vai aos jogos somente na final, pois o jogo ocorre no estádio dele (Estádio do Rei), cada time tem seu estádio, mas a final ocorre num estádio à parte, como se fosse o Maracanã aqui no Rio. Ele chega normalmente no meio da partida e o jogo é interrompido para recebê-lo. Quando o time é campeão o rei faz questão de cumprimentar os jogadores e eu acabei pegando muita amizade com ele por ser brasileiro. Eles lá respeitam muito o futebol do Brasil, inclusive me chamam de “Novo Rivellino”. De vez em quando os príncipes me ligam para jantar e isso é muito legal.”

NATURALIZAÇÃO:
“Já me fizeram proposta para me naturalizar, assim abriria mais uma vaga de estrangeiro no time, o presidente toda vez me pede isso, ele gosta muito de mim. Para se naturalizar são necessárias duas coisas: Falar árabe fluente e virar mulçumano, coisa que eu não quero. Tenho certeza de que se aceito me naturalizar, eu sou convocado pela seleção para ser titular.”

TRANSFERÊNCIA PARA O QATAR:
“Após dois anos no Al-Hilal, eu recebi proposta do Al-Arabi, mas eles me contrataram achando que eu faria milagre. O time tinha poucos estrangeiros, os jogadores eram muito ruins e havia briga interna. Conseguimos a classificação para a semifinal do campeonato e isso foi um feito inédito. Hoje o Al-Arabi está em penúltimo no campeonato local, mas lá só cai um time. Fiquei um ano jogando no Qatar e voltei para a Arábia, fui jogar no Al-Shabab”

PERÍODO NO AL-SHABAB:
“No meu primeiro ano no Al-Shabbab conseguimos ficar em terceiro no campeonato, poderíamos ter ido além, mas perdemos pontos importantes no começo do campeonato e isso fez com que ficássemos seis pontos atrás do líder. Nesse ano, o time está em terceiro ou quarto, não sei direito, pois vim para o Brasil fazer a operação. Na terça-feira (11/11) volto para lá.”

JOGADORES ÁRABES:
“Lá na Arábia tem jogadores muito bons e de qualidade muito elevada, porém outros são fracos demais. O contrapeso que existe são exatamente os jogadores estrangeiros. Tive a oportunidade de enfrentar o Lúcio Flávio, Petkovic e o Valdívia.”

TORCIDA ÁRABE:
“Eles gostam muito de futebol. Os estádios estão sempre cheios, correm atrás dos ônibus para nos beijar, algumas vezes para cobrar empenho, e nos respeitam muito. Quando eu ainda estava no Al-Hilal, um torcedor me deu um DVD só com meus lances e gols, foi muito gratificante”.

VOLTA AO BRASIL:
“Não pretendo retornar tão cedo ao Brasil, vivo um momento muito feliz na Arábia. Nesses cinco anos que estou longe já recebi propostas de alguns clubes como Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro. Nesse último eu quase fui jogar, mas eles contrataram o Wágner e eu continuei jogando fora do país. Hoje eu já falo com meu empresário e ele já recusa as propostas do Brasil com antecedência.”

FUTEBOL BRASILEIRO NOS ÚLTIMOS ANOS:
“Eu não costumo assistir televisão por lá, até porque os programas são em árabe e a língua deles é realmente muito difícil. Há pouco tempo que começaram a mostrar um pouco do futebol do Brasil, mas lá em casa tem Globo e algumas vezes eu acompanho.”

“CASO ANDRÉ LUÍS”:
“Ele agiu errado, não se pode retirar o cartão da mão do árbitro, se isso fosse na Arábia ele poderia ser deportado. Uma vez, um africano que jogava no Al-Ittihad simulou que cuspia no bandeirinha e cuspir na Arábia é pior do que tapa na cara e na mesma hora o presidente rescindiu o contrato e ele foi deportado do país.”

SONHO COMO JOGADOR:
“Tenho o sonho de jogar em um clube espanhol, admiro a estrutura do país e a maneira como tratam o futebol, acredito que se jogasse mais tempo na primeira divisão no Brasil conseguiria esse objetivo, o futebol árabe não tem visibilidade.”

Deixo aqui meu agradecimento ao Camacho pela recepção e uma boa sorte na recuperação da cirurgia e no decorrer do campeonato.

2 comentários:

Vinícius Barros disse...

Parabéns pela excelente entrevista!!! Recomendo, principalmente a primeira parte, a todos aqueles que criticam o Bebeto e parece que esqueceram da dificuldade que ele encontrou no Botafogo!!! Antes era sem água, luz, SEIS meses de salários atrasados e sem estádio. Agora temos luz, água, três meses de atraso e estádio!!! Melhorou, não concorda!?

Aldevan Junior disse...

Parabéns mesmo, Ricardo!

Vou sempre estar no Blog acompanhando trabalhos maravilhosos como este...

E Camacho está certo em não pensar em voltar. Lá ele recebe em dia, recebe um salário maior e é reconhecido. Aqui, se não fosse para o Botafogo, iria certamente parar num clube de segunda divisão.

Abraço!