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domingo, 6 de janeiro de 2008

Maracanã - O Palco

"As cores separam os doIs times, os doIs bandeirinhas os limites do campo."
Foto: Ângelo Ivan

(...) No estádio-praça o cidadão ganha um espaço onde tem o direito de gritar seu amor e seu ódio, jogar talco, desenrolar papel higiênico, soltar bomba e foguete. Ali ele não está sozinho, não é um, é parte, pertence a uma irmandade, é cavaleiro de uma ordem com suas cores, brasão e bandeira. Vai mais fundo: veste a camisa.

(...) Pode vestir a mesma roupa dos atores principais; fantasiado, anarquizando, ele é mais igual. Futebol é uma dose semanal de carnaval. E acontece num domingo, dia da família, da casa, o dia em que ele deixa de ser mais um no meio do povão sem nome e se torna pai, sozinho, torcedor. Incorpora o clube de futebol à família, ao seu botequim, à sua rua, onde tem um nome, hábitos conhecidos e talvez uma bicicleta. Sem clube, esse homem do estádio não é nada, é zé-povinho, joão-ninguém, maria-mijona. O clube dá-lhe uma identidade, um nome que todos conhecem: ele é Flamengo, é Corinthians, é Atlético, é América, é Inter, é Palmeiras, é Fluminense, é. (...).

No estádio-teatro as cores separam e unem. Separam torcidas, unem torcedores. Separam os dois times, os dois bandeirinhas, os limites do campo, a área castigada do goleiro, unem os que comemoram o gol ou os que choram a derrota. Diferentes na cor da pele, nos olhos, nos cabelos, torcedores descobrem-se irmãos pelas cores do time. Todos os disparates são possíveis: comunistas que odeiam o vermelho, estetas que aceitam o verde-amarelo, discretos que amam o rubro-negro, jovens que preferem o branco-e-preto. Isso quanto a cenários e figurinos. Vamos à peça. (...).

Esse texto foi produzido por Ângelo Ivan, escritor, e retrata o panorama e as reações do futebol.

3 comentários:

Anderson Sloth disse...

Esse texto mostra, com fidelidade, as reações de muitos torcedores que vibram e choram pelos seus time de futebol. Texto muito maneiro!

Renan de Moura disse...

Vlw Sloth!! Obrigado pelos comentários!!

Carlos Alberto de Pinho Junior disse...

O texto transporta o leitor de maneira fidedigna ao cenário-tema , reportando-o à momentos memoráveis vividos no "estádio-teatro" . Belíssimo trabalho ! Formidável , a inquietude humana ! Temos de ser inquietos ! Parabéns pela página virtual !