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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Do fundo do baú: Flamengo 1 x 1 Cruzeiro(MG) (1972)

No dia 18 de Dezembro de 1972, numa Segunda-feira, Flamengo e Cruzeiro se enfrentaram no Estádio do Mineirão em Belo Horizonte pelo Campeonato Brasileiro e ao final da peleja houve o empate de 1 tento a 1.
Nesse ano a S.E. Palmeiras foi o Campeão Brasileiro.

Principal Artilheiro do Campeonato

Dario (Atlético-MG), Pedro Rocha (São Paulo) : 17 Gols


O Jogo

CRUZEIRO (MG) 1 x 1 FLAMENGO (RJ)
Data
: 18/12/1972
Campeonato Brasileiro
Local: Estadio do Mineirão / Belo Horizonte
Árbitro: José Luiz Barreto (RS)
Renda: Cr$ 6.667
Gols: Zé Carlos 04, Caio Cambalhota 15/1º
FLAMENGO : Ubirajara Mota, Moreira, Chiquinho, Fred, Mineiro, Liminha, Zanata, Vicentinho, Caio Cambalhota, Fio e Rodrigues Neto / Técnico: Zagallo
CRUZEIRO: Hélio, Pedro Paulo, Misael, Darci Menezes, Vanderlei, Piazza, Zé Carlos, Rinaldo (Eduardo), Lima, Roberto Batata, Palhinha (Baiano) / Técnico: Hilton Chave


O Craque: Caio Cambalhota

A família Lemos tem tradição no futebol. Dela saíram três grandes artilheiros para o futebol brasileiro: César, o César Maluco, Luizinho e Caio Cambalhota, o José Carlos da Silva Lemos.

Nascido em Niterói no dia 11 de setembro de 1949, Caio começou a carreira nas categorias de base do Botafogo. De 1966 a 1969, jogou ao lado de outros jogadores famosos, entre eles Nilson Dias, o ponta-direita Rogério e Chiquinho. “Saí do Botafogo porque fui indicado ao Flamengo pelo Zagallo”, conta Caio, que hoje é técnico de futebol, mora em Niterói, Rio de Janeiro, divorciado, pai de quatro filhos e avô de quatro netos.

Em 1970, então, o atacante se transferiu para o Flamengo. No mesmo ano, foi emprestado para a Ponte Preta. “Era muito jovem e fui repassado para a Ponte. Era um timaço o da Ponte. Tinha o Dicá, o Manfrini, o Nelsinho (Nelsinho Baptista), o Wilson Quiqueto, o Waldir Peres, entre outros”, lembra o ex-atacante. Caio também jogou por empréstimo pelo América do Rio, em 1971 e 1973. No alvi-rubro atuou ao lado do irmão Luizinho, do volante Ivo (Ivo Wortmann), de Badeco, Flecha, Bráulio e companhia.

Um dos melhores anos da carreira de Caio foi o de 1972. Foi nessa época que surgiu a cambalhota nas comemorações de gols, uma marca registrada do atacante. “Depois surgiram o Romeu, o Cafu, o Alessandro, mas quem inventou mesmo a cambalhota como forma para comemorar gols fui eu”, garante Caio. Ele conta ainda que a maneira de vibrar depois do gol aconteceu de forma acidental.

“Eu tinha um treinador de boxe, o Manoel, na Academia da PM, que me ensinou a dar cambalhota para a defesa pessoal. Não pensava em utilizá-la no futebol. Certa vez, eu brinquei com um fotógrafo do jornal ‘O Dia’. Disse que iria pular em cima dele se fizesse um gol pelo Flamengo. Eu fiz o gol e ele estava próximo da trave. Para não cair em cima do fotógrafo, eu dei uma cambalhota. Este fotógrafo achou a comemoração muito legal e falou que eu tinha de continuar”, revela Caio.

E quem foi várias vezes “vítima” das cambalhotas de Caio foi o Fluminense, no dia 23 de abril de 1972, no Maracanã. “Cada gol que eu marcava, dava uma cambalhota. Fiz três”, diz Caio. O rubro-negro venceu aquele “Fla-Flu”, válido pelo Campeonato Carioca, por 5 a 2.

Pelo rubro-negro, conforme informa o “Almanaque do Flamengo”, Caio realizou 134 jogos (69 vitórias, 45 empates e 20 derrotas) e marcou 48 gols. O atacante participou de várias conquistas importantes, entre elas o Campeonato Carioca, Torneio de Verão (competição disputada por times como Benfica e Santos) e Torneio do Povo, que reunia as equipes consideradas com maior número de torcedores: Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro, Internacional, Bahia, entre outras. “E fui artilheiro várias vezes jogando pelo Flamengo. Só não fomos muito bem no Campeonato Brasileiro”, fala.

O ex-atacante se orgulha de ter feito parte de três “eras” do Mengão. “Na primeira, eu joguei ao lado Buião (ponta-direita), do Nei (atacante), do Caldeira (ponta-esquerda), do Fio Maravilha, do Domingues e outras feras. Na segunda, eu tive como companheiros o Renato (goleiro), o Chiquinho, o Reyes, o Luxemburgo, o Júnior, entre outros. Na terceira, eu atuei ao lado do Zico, do Luizinho (meu irmão) e tantos outros grandes jogadores”.

Caio permaneceu na Gávea até 1976, ano em que teve seu passe comprado pelo Atlético Mineiro. Chegou ao Galo para ser reserva de Reinaldo, o outro centroavante. Mas o técnico Barbatana optou por colocá-lo como ponta-direita. “Eu joguei improvisado nesta função. Os dois pontas autênticos eram o Marcinho e o Marinho (que depois se destacou no Bangu). Mas foi ótimo ter atuado ao lado do Reinaldo, um dos melhores jogadores que eu vi”, elogia Caio.

Com a camisa atleticana, Caio fez parte da equipe vice-campeã brasileira de 1977. “Uma injustiça o Atlético ter sido o vice-campeão naquele ano. A nossa campanha foi bem melhor do que a do São Paulo. Fizemos quase 30 pontos a mais do que o São Paulo, que venceu a final nos pênaltis e ficou com o título nacional”, lamenta.

Depois do Galo, Caio defendeu por empréstimo o América Mineiro, em 1978, e no mesmo ano seguiu para o futebol português, onde permaneceu até 1989. “Fui para Portugal por indicação do Jeremias, ex-jogador do Fluminense. Não tive problemas de adaptação em lugar algum”, diz Caio, que depios jogou pelo Tunsing, de Hong Kong (em 1989) e pelo Al Tadamon, do Catar (em 1990).

Em 1991, ele retornou ao Brasil. Defendeu a Caldense (MG), o Rio Branco de Andradas (MG), o Tupi (MG), o Tiradentes (DF), a Votuporanguense (SP) e a Portuguesa Carioca, seu último clube. “Encerrei a carreira com 43 anos. Antes, eu fiz parte da equipe da Portuguesa campeã carioca da segunda divisão”, revela.

Elogios para Reinaldo

Segundo Caio, Reinaldo era melhor até do que Romário e poderia ter superado Zico. “O Reinaldo fazia gols inacreditáveis. Era um jogador completo. Sabia jogar atrás e na frente. Acho que ele foi melhor do que o Romário e se tivesse jogado no Rio poderia ter sido mais famoso até do que o Zico”, diz o ex-atacante.

“Eu vi de perto dois gols maravilhosos do Reinaldo, sendo que um deles lhe valeu até uma placa no Mineirão. Esse aconteceu contra o América de Natal. Também teve um contra o Remo, em Belém, que ele com um drilbe de corpo derrubou os zagueiros, o goleiro e até eu mesmo cai. Era realmente genial, mas pena que tinha sérios problemas no joelho”, lamenta Caio.

Teimosia do Velho Lobo

O ex-centroavante tem um carinho muito grande pelo técnico Zagallo, afinal foi o Velho Lobo quem o indicou para defender o Flamengo. Caio lembra que a teimosia de Zagallo era a marca registrada do treinador nos anos 70. “Existia uma pressão muito grande para que eu saísse do time titular do Flamengo. Eu estava há quatro jogos sem marcar e muita gente pedia pelo Dionísio, que cabeceava muito bem. O Zagallo falou que ele mandava no time e ponto final. Não me tirou. Aí, eu comecei a marcar gols e permaneci entre os titulares”, conta.

Chances na seleção

Caio não teve chance de defender a seleção brasileira principal, mas chegou a ser convocado pelo técnico Antoninho para a seleção sub-20, em 1970. Também faziam parte do selecionado jogadores como Falcão, Terezo (lateral), Cláudio Adão, entre outros.

O jogador Vanderlei Luxemburgo

Caio defende com unhas e dentes o ex-lateral Vanderlei, que hoje é o técnico Vanderlei Luxemburgo. “O Vanderlei era um excelente jogador. O Júnior foi jogar como lateral-direito porque o Vanderlei era mesmo um ótimo lateral. Hoje é um excelente treinador”, comenta o ex-atacante, que como técnico já trabalhou na categoria juniores do América do Rio e como profissional do Goytacaz (RJ), Rio Branco de Andradas (MG), Caldense (MG), Rio Branco (ES) e Flamengo (PI).

por Rogério Micheletti

Dados Caio Cambalhota no Flamengo

Nome Completo: José Carlos da Silva Lemos
Apelido: Caio Cambalhota
Posição: Atacante
Nascimento: 11 de setembro de 1949 / Niterói
1° jogo: 27/09/1970 (Flamengo 2 x 0 São Paulo)

Títulos

1971
Troféu Pedro Pedrossian
Troféu Gilberto Alves-GO
Troféu Quadrangular de Vitória-ES

1972
Taça Guanabara
Campeonato Carioca
Torneio Internacional de Verão do RJ
Torneio do Povo
Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil

1973
Taça Cidade do Rio de Janeiro e Troféu Rede Tupi de TV

1975
Torneio Quadrangular de Jundiaí (SP)

1976
Torneio Quadrangular de Mato Grosso
Taça Nelson Rodrigues (RJ)
Troféu Governador Roberto Santos (BA)
Taça Prefeito do Distrito Federal
Taça Prefeitura Municipal de Manaus (AM)

Fontes: Flaestatisticas, Milton Neves

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