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domingo, 22 de junho de 2008

Só o amor ao futebol os mantém onde estão



O mundo quase que por completo, concorda que o esporte mais apaixonante do globo é o futebol. Milhares de pessoas estão imbuídas para que nos 90 minutos tudo saia da melhor forma possível, milhões são investidos antes de a bola rolar, e principalmente bilhões são adquiridos quando a mesma para. Futebol no Brasil, por exemplo, beira a religião, em jogos de Copa do Mundo todas as empresas liberam seus funcionários para que estes vibrem com a seleção canarinho. O futebol é capaz de parar até as mais sangrentas guerras, como a do Congo Belga que em 1969 durante uma excursão do clube do Santos, parou, e toda a África, por conseguinte, assistiu estática o time do Rei Pelé.

As finais da Copa do Mundo realizada no Japão e na Coréia do Sul em 2002 foram assistidas por cerda de 1.1 bilhões de pessoas, algo assustador, mas que em se tratando de futebol torna-se banal. No Rio de Janeiro o futebol esta incorporado no carioca, já faz quase parte dos dados pessoais, encontramos no Rio, 4 dos 12 gigantes do futebol tupiniquim. Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, sendo Flamengo e Vasco 1º e 3º colocados no ranking de torcidas do Brasil inteiro, são os clubes que fazem os cariocas festejarem o ano inteiro.

Entretanto, essa maquina que envolve os mais diversos corações das mais diversas culturas, tem um personagem que se não é principal, pode ser no mínimo decisivo, como um ser à parte do espetáculo, como alguém que ninguém sabe de onde veio. Ninguém sabe para onde vai. Ninguém sabe o que cerca sua vida. Os árbitros vivem em um mundo paralelo ao mundo vivido pelos apaixonados pela bola, tão apaixonados quanto qualquer torcedor, ele abdicam do direito de torcer, para que de forma alguma seu trabalho seja comprometido.

Quando ouvimos falar em Horacio Elizondo, Pierluigi Collina, Said Belqola, Sándor Puhl, entre outros deuses do apito, imaginamos que eles surgiram no momento da partida, sem vida antes, e sem vida depois. Esses 4 nomes acima foram os árbitros das ultimas finais de copas do mundo, 06/02/98/94 respectivamente, entraram para a imagem dos torcedores como aqueles homens que apitaram as finais, como os homens que por alguns minutos tiveram o poder de decidir, qual nação levaria a taça da Fifa pelos 4 anos seguintes após a final.

Contudo para chegarem a esse momento máximo na carreira de um arbitro, tiveram que começar por baixo, assim como começam os árbitros brasileiros, longe dos holofotes, longe das grandes torcidas, longe até da segurança. Os gastos para ser tornar um árbitro pela federação carioca são de aproximadamente 4 mil reais, o retorno para esse investimento só acontece com o transcorrer dos anos. Para o árbitro FIFA da Federação Catarinense Wagner Tardelli assim como em qualquer carreira a arbitragem demora a dar lucros.

“O retorno acontece com o decorrer da carreira, mas nada imediato assim como todo inicio de carreira, então na verdade quando o árbitro inicia nas categorias de base, ele vai pagar para trabalhar, e ai passando para o profissional, a série B, o quadro nacional, depois o quadro internacional, ai sim ele começa a ter recursos e a recuperar o que ele investiu em cursos, treinamentos, uniformes...”, conta Tardelli.

Alguns entram para ganharem notabilidade no cenário nacional, nem tanto retorno financeiro, mas sim visibilidade no meio do futebol, e como não conseguiram ser jogadores, visam na arbitragem á chance de estarem nas 4 linhas, participando de uma forma ativa do espetáculo.
“Tem alguns colegas que pegam o caminho da arbitragem para tentar ficarem famosos, para tentar fazer um jogo de televisão, um clássico no maracanã, mas isso não é rápido, nem toda hora, e essa demora faz com que alguns árbitros abandonem suas carreiras, antes de chegarem a esse estado”, afirma Tardelli.

Alem dessa demora para que as coisas comecem a acontecer na vida dos profissionais das regras, ainda há problemas dentro de campo que assustam a qualquer pessoa. Orlando Hortêncio auxiliar CBF relata uma das suas primeiras experiências, ainda nas divisões amadoras.
“Em 1985 quando estava fazendo a minha primeira final, era um jogo dos veteranos, nesse jogo aconteceu um pênalti que eu estava correto ao marcar, isso já era aos 43 minutos do segundo tempo, o zagueiro lançou a bola para fora da área com a mão, e após eu marca o pênalti o time inteiro dele ficou contra o zagueiro, chegando até a agredi-lo. Depois de todo o bafafá, quando o pênalti já ia ser cobrado esse jogador veio com uma “perna de três” e me acertou na nuca, eu fiquei em coma por 15 minutos, os relatos da súmula foram com base no que me contaram, por que eu fiquei desacordado”, conta o empresário aos risos.

Além desses fatores os árbitros ainda sofrem com os testes físicos rigorosos, das entidades em que são pertencentes. Testes que exigem tempo para a preparação, físico e mental. Mas como se preparar tão bem, se as mesmas exigem que os árbitros estejam trabalhando no inicio de cada ano, caso contrário serão suspensos do quadro? Muitos são empresários ou funcionários públicos, onde a flexibilidade e uma pouco maior, quem trabalha no setor privado encontra grandes dificuldades, pois precisa conciliar os dois, alem dos treinos, tem as viagens, e isso é muito complicado, sendo alguns até demitidos por esses fatores.

“Hoje em dia a arbitragem exige que o árbitro seja um atleta profissional, ele tem que treinar todos os dias para conseguir passar nos testes físicos, só que a arbitragem não oferece isso, você tem que dar o seu jeito, a arbitragem não te da segurança, mas exige que no inicio do ano que você dê junto com a sua documentação um comprovante de trabalho, hoje, depois de 19 anos eu tenho conforto por ser empresário, se não fosse isso não conseguiria fazer os treinamentos”, segundo o empresário.

Para o ex-bandeira e hoje instrutor FIFA Aristeu Tavares, quem trabalha em empresas publicas tem a vida realmente facilitada, pois sempre quando vão apitar saem em representação do órgão ao qual fazem parte.

“Em 2002 precisei de uma licença para ir ao mundial, fui à, na época governadora Rosinha Matheus pedi essa licença, que prontamente me atendeu, pouco tempo depois sai fardado, em todas as capas de jornais, segurando a bandeira da FIFA, imaginem a representação que essa foto não tem?”.

O limite de idade dentro da FIFA é de 45 anos, assim como na CBF, na federação do Rio pode chegar aos 50. Mesmo assim Aristeu encerrou sua carreira aos 45, ele já estava em contagem regressiva, já estava se preparando mentalmente, e hoje inclusive auxilia a arbitragem sendo instrutor FIFA, entretanto ele acha que esse limite poderia ser prolongado, mas garante que a carreira de árbitro para quem começa cedo, esta longe de ser curta.

“45 é uma boa idade, mas acredito que o ideal seria acabar com esse limite, julgar sim pelo fator físico, tem gente que aos 28 não acompanha o ritmo que eu aos 46 ainda tenho. Deveria ser permitido o árbitro estar na FIFA enquanto o preparo o permitisse, eu me preparei para parar, mas tem árbitro que gostaria de ainda estar no quadro, e seguramente ainda teria fôlego para tal”, questiona o Tenente Coronel PM e assessor-chefe da Assessoria de Relações Públicas da PMERJ Aristeu Leonardo Tavares.

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