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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

'O SENTIMENTO NÃO PODE PARAR"...


A pedido do nosso amigo Jonathas Souza, publicamos sua postagem sobre a queda de um dos maiores times do Brasil, o Vasco da Gama.

Por: Jonathas Souza

Como tantos outros acontecimentos históricos relacionados ao campeonato brasileiro de futebol, o descenso do Vasco da Gama será apregoado como um dos mais importantes de toda a história da competição.

Em 110 anos de história, o clube de São Januário integrava, até então, um seleto grupo de times que nunca haviam sido rebaixados às divisões inferiores. Na vasta galeria de títulos, estão quatro campeonatos nacionais, uma Taça Libertadores da América e diversos títulos expressivos, inclusive de âmbito internacional. Por ali passaram grandes nomes do futebol como Valdir Perez, Acácio, Bebeto, Roberto Dinamite, Romário e tantos outros. E o que se vê, hoje, de um clube tão grande, são apenas lapsos em forma de história...

Na memorável década de 90, o Gigante da Colina logrou um de seus mais importantes títulos. A Taça Libertadores de 1998 marcou a história do clube, tanto no coração dos torcedores como no cenário futebolístico internacional. Os brasileiros de 1997 e 2000, e a extinta Copa Mercosul, mostravam quão forte e competitivo era o time. E como explicar tanta decadência em tão pouco tempo? O âmago da crise chama-se política. Tendenciosamente, falar do futebol em si me atrai mais, e como de costume, vamos falar de história...

Fundado inicialmente como Clube de Regatas em 1889, a fusão com o Lusitânia F.C, no ano de 1915, daria origem ao primeiro time de futebol do clube. Em 1923, após ganhar o acesso à disputa da primeira divisão, em seu ano de estréia, veio o primeiro título carioca. Um time formado por negros e operários começava a desenhar uma das mais belas trajetórias de um clube de futebol. O campeonato sul-americano conquistado de forma invicta em 1948 consolidava uma imagem cada vez mais forte do clube no cenário esportivo já em caráter internacional.

O primeiro título de campeão brasileiro viria em 1974. Com gols de Ademir e Jorginho Carvoeiro, o Vasco batia o Cruzeiro por 2x1 em pleno Maracanã, tornando-se também, o primeiro clube carioca a ser campeão nacional.

Após quinze longos anos, o bi-campeonato. Em 1989, Vasco e São Paulo, disputam mais uma final nacional. Sorato anotou o único gol da partida. O tricampeonato viria no épico ano de 1997, contra o Palmeiras, com Edmundo conduzindo magistralmente a barca vascaína, repetindo assim, as campanhas de 1974 e 1989. Fato curioso nesta decisão que entrou para a história por ter tido, em ambos os jogos, placar em branco. Os 70 pontos conquistados em 33 jogos contra os 58 do clube paulista, dariam o terceiro caneco ao Vasco.

O quarto título viria em 2000, campeonato que sofreu os maiores problemas organizacionais desde 1971. O Clube dos Treze organizou a edição daquele ano, em impedimento deferido à CBF, edição que contou com 116 clubes, de três divisões, em um único torneio. O jovem São Caetano, clube recém ascendido, com apenas 10 anos de fundação, protagonizou a grande final. No primeiro jogo em São Paulo, empate em 1x1. No segundo deu Vasco, 3x1 - com jogo de dois encontros, devido aos incidentes com o alambrado de São Januário.

Além dos títulos brasileiros, o clube soma também 22 Campeonatos Cariocas,11 Taças Guanabara, 9 Taças Rio, incluindo duas Copas Rio de 1992 e 1993, os 3 títulos do extinto torneio Rio-São Paulo, dentre outros menos expressivos. No total, são 959 jogos, 386 vitórias, 298 empates e 275 derrotas, 20 delas somente no campeonato nacional desta temporada, algo memorável...

Fato é que tanta história fará parte da sub-elite do futebol nacional em 2009, talvez arrastada por pífios planos de ação e planejamento, talvez pela efêmera corrupção que domina a mediocridade diretiva dos clubes, talvez pelo inaceitável despreparo técnico de alguns jogadores, são tantos motivos que, talvez, o empresariado futebol capitalista possa explicar.

Logicamente e sem dúvida, a Série B receberá com clamor os rendimentos financeiros que um clube do porte do Vasco aporta, como também a gala de contar com tanto fascínio e encanto que arrastam os 110 anos de glórias e conquistas do clube carioca. Cabe ao torcedor dignificar a honra do time de coração e honrar a camisa, já que onze homens não foram capazes de fazê-lo.

É bom noticiar também que, poucos dias após o rebaixamento, a diretoria cruzmaltina já trabalha em prol da próxima temporada. O clube espera fechar um contrato de patrocínio com a estatal de energia elétrica Eletrobrás, acordo que injetaria R$ 42 milhões ao longo de três anos de contrato, além de lançar campanhas publicitárias de apelo emocional para a volta do clube à elite em 2010. Nas questões técnicas, o mais cotado para assumir o banco após a destituição de Renato Gaúcho é o ex-Coritiba Dorival Júnior. Também são consideradas prioridades pela direção, a renovação de Leandro Amaral e Pinilla além de uma reformulação profunda no setor defensivo.

Vamos, Vasco! Porque o sentimento não pode parar...

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